Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Pioglitazona (ACTOS) reduz o risco dos pacientes diabéticos terem infarto e derrame


Para saber mais sobre a polêmica, leia a posição oficial da Sociedade de Diabetes sobre a rosiglitazona

ACTOS(R) (pioglitazone HCl) Demonstrates Reduced Risk Of Ischemic Cardiovascular Disease In Patients With Type 2 Diabetes








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Quarta-feira, Agosto 29, 2007

Quer viver mais e parecer mais jovem? Coma menos!


Influência da Redução Calórica na Longevidade

É isso mesmo! Cortar calorias pode ser benéfico para alguns marcadores de longevidade, podendo funcionar como um poderoso fator anti-envelhecimento.

É sério!

Embora ainda não esteja comprovado que isso signifique viver mais, porque as pesquisas com seres humanos ainda estão em andamento, os resultados até agora parecem ser animadores. "Eu acho que os números preliminares são muito estimulantes. Os resultados preliminares, sugerindo que a restrição calórica em pessoas magras (não-obesas) pode realmente aumentar a expectativa de vida das pessoas.” Quem diz isso é o Dr Eric Ravussin, que é um pesquisador suíço radicado há vários anos nos Estados Unidos (muito conhecido de quem trabalha com Obesidade, ou estuda o assunto), que esteve aqui em São Paulo, para o XII Congresso de Obesidade e Síndrome Metabólica.

O Dr. Ravussin é uma das maiores autoridades científicas mundiais em Obesidade e Metabolismo, com mais de 250 trabalhos publicados nessa área. Tendo feito doutorado em Lausanne (Suíça) e pós-doutorado na Universidade de Vermont (EUA), ficou 16 anos em Fênix, EUA, fazendo pesquisa sobre as causas e origens da obesidade e do diabetes tipo 2, através do estudo do metabolismo dos índios Pima, por calorimetria.

Atualmente, além de membro do Conselho de Nutrição, Atividade Física e Metabolismo do Comitê de Obesidade do American Heart Association e presidente do Meeting da NAASO, o Dr. Eric é professor no Centro de Pesquisa Biomédica de Pennington em Baton Rouge (Lousiana, EUA). E é lá que ele agora está estudando a relação entre a nutrição e o envelhecimento.

Na conferência apresentada por ele, na manhã de sexta-feira, dia 17 de agosto, Dr. Ravussin falou sobre seus estudos sobre nutrição e envelhecimento, e os resultados obtidos até agora.

Restringir calorias na dieta é uma medida comportamental que já foi demonstrada, há algum tempo, como um fator de longevidade e de envelhecimento saudável, baseado em pesquisas com animais. Mas até agora nunca tinha ficado claro e comprovado que isso fosse verdade para seres humanos também, segundo ele.

Em pesquisas com moscas, ratos e cachorros, por exemplo, foi mais fácil observar este benefício, por seu curto período de vida. Ensaios clínicos com seres humanos precisariam ser feitos por mais de cem anos. Além disso, é muito difícil, para qualquer pessoa, levar a vida inteira com restrição calórica. No caso dos animais é fácil controlar a quantidade, periodicidade e qualidade dos alimentos ingeridos.

O trabalho do grupo do Dr. Ravussin tem acompanhado o que ele chama de “marcadores biológicos do envelhecimento”: inclui medidas dos níveis de açúcar no sangue (glicemia), insulina e outros hormônios, temperatura corporal, nível de estresse oxidativo, número de mitocôndrias e grau de dano no DNA.

Ele, juntamente com outros pesquisadores, publicou um trabalho em abril de 2006, no Journal of the American Medical Association (JAMA), avaliando os efeitos de 6 meses de restrição calórica, com ou sem atividade física, em 48 adultos jovens com sobrepeso. Os participantes do estudo foram divididos aleatoriamente (randomizados) em 4 grupos:

(1) controle, sem intervenção nenhuma, com orientação de dieta saudável, com objetivo de manutenção de peso;

(2) dieta com restrição calórica de 25% das necessidades para manter o peso;

(3) restrição calórica mais exercício (dieta com 12,5% de restrição e aumento de 12,5% do gasto de energia usando um programa estruturado de atividade física), e

(4) dieta de muito baixas calorias (890 calorias/dia), mantendo essa grande restrição calórica até a redução de 15% do peso inicial, seguida por manutenção.

Foram avaliados: composição corporal, DHEAS, glicemia e insulinemia, derivados de aminoácidos, dano de DNA, gasto energético das 24h (metabolismo basal) e temperatura corporal central. Seis meses depois, eles foram reavaliados. O que se encontrou:

  • Todos os grupos perderam peso depois dos 6 meses. A porcentagem de peso perdido foi: - 1% no grupo controle, -10.4% no grupo com restrição calórica, -10.0% no grupo com restrição calórica e exercício e -13.9% no grupo com maior restrição calórica.
  • A massa gorda, medida pela avaliação da composição corporal com bioimpedância, diminuiu significativamente em todos os grupos com alguma intervenção, em comparação ao grupo controle.
  • A restrição de calorias, com ou sem exercício, por 6 meses, levou a perda de peso, de massa de tecido adiposo (gordura), diminuição de níveis de insulina de jejum e de temperatura corporal. Os marcadores de envelhecimento pesquisados, como dano no DNA e adaptação metabólica, melhoraram muito mais do que seria esperado só pela perda de peso, depois desse período de dieta hipocalórica, com ou sem atividade física.

“Nossa intenção nesse estudo não era a perda de peso”, disse o Dr Ravussin. Ele e os seus colegas estavam mais interessados nos marcadores de longevidade e envelhecimento. Os resultados foram muito melhores do que seria esperado só pela perda de peso, disse ele. Até o momento, a conclusão é de que as células da pessoa que está sob restrição calórica têm maior qualidade, apresentando mais mitocôndrias e menos estresse oxidativo.

O Dr.Ravussin comentou que esse estudo foi muito pequeno, por pouco tempo e muito poucos participantes. O próximo passo é fazer um estudo desse tipo que dure pelo menos 2 anos, para chegar a respostas mais definitivas. Por esse motivo, ele iniciou um estudo, (CALERIE) em fevereiro de 2007, que deverá acompanhar a avaliação de 240 pessoas, com peso inicial normal, analisando marcadores biológicos que possam representar os efeitos de aumento da longevidade com a restrição calórica mesmo em quem não é obeso. O grupo de investigadores acredita que chegaremos à comprovação científica de que para envelhecer com saúde e viver mais, temos que comer menos.

E quando começar a restringir as calorias, então? Na opinião do Dr. Ravussin, parece ser melhor iniciá-la o mais cedo possível, mas nunca antes da puberdade.

“Não temos dados sobre seres humanos, mas sabemos que em países como o Japão, onde a população chega facilmente aos 100 anos de idade, a alimentação é de baixa caloria”, informou o Dr. Eric.

fontes/leia mais:


12º Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica - Conferência Internacional: Relação da Nutrição com o Envelhecimento, Dr. Eric Ravussin

Cut Calories, Boost Longevity? Miranda Hitti, Medscape WebMD Health

The Journal of the American Medical Association, April 5, 2006; vol 295: pp 1539-1548.“Effect of 6-Month Calorie Restriction on Biomarkers of Longevity, Metabolic Adaptation, and Oxidative Stress in Overweight Individuals A Randomized Controlled Trial"Leonie K. Heilbronn, PhD; Lilian de Jonge, PhD; Madlyn I. Frisard, PhD; James P. DeLany, PhD; D. Enette Larson-Meyer, PhD; Jennifer Rood, PhD; Tuong Nguyen, BSE; Corby K. Martin, PhD; Julia Volaufova, PhD; Marlene M. Most, PhD; Frank L. Greenway, PhD; Steven R. Smith, MD; Walter A. Deutsch, PhD; Donald A. Williamson, PhD; Eric Ravussin, PhD; for the Pennington CALERIE Team


JAMA. 2006;295:1577-1578.“Excessive Adiposity, Calorie Restriction, and Aging” Luigi Fontana, MD, PhD




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Quarta-feira, Agosto 15, 2007

O consumo de mais de um refrigerante, mesmo diet, por dia, aumenta o risco de Síndrome Metabólica


Essa é uma notícia triste para quem, como eu, é praticamente viciada na maravilha da ciência que são os refrigerantes dietéticos: uma pesquisa do Instituto Framingham, Boston, EUA concluiu que o hábito de beber mais de um refrigerante por dia, mesmo sendo dietético, está associado a um risco muito maior de desenvolver obesidade abdominal e Síndrome Metabólica. O consumo diário de refrigerante mostrou um aumento de 48% na prevalência da síndrome metabólica em comparação aos indivíduos que consomem menos de um refrigerante por dia. Até aí, tudo bem, quero dizer: isso já é esperado. O surpreendente nesse estudo foi que ele demonstrou que não faz diferença se o refrigerante é normal ou dietético!

Segundo o autor principal desse estudo, Dr Ramachandran Vasan, professor da Escola de Medicina da Universidade de Boston, o resultado surpreendente do trabalho foi mesmo mostrar que o risco aumenta tanto em pessoas que consomem o refrigerante diet quanto entre os que tomam a versão normal. “Esse foi um dos aspectos mais interessantes e surpreendentes desse estudo,” disse o pesquisador para a newsletter heartwire. “Realmente não faz diferença se o refrigerante é normal ou dietético. Existe mesmo uma associação entre risco aumentado de desenvolvimento de Síndrome Metabólica e o consume desses dois tipos de bebida.”

Deve ser uma notícia meio assustadora para a indústria dos dietéticos. Afinal, este é o primeiro estudo avaliando o consumo de refrigerantes diet, consumidos principalmente por pessoas que querem perder peso.

Esses resultados, e a discussão sobre eles, estão publicados na revista Circulation de 23 de julho, 2007. Dr. Vasan afirma que o consumo de refrigerantes mais do que dobrou, quase triplicando, no período entre 1977 e 2001. Durante esse mesmo período, o tamanho das porções dessas bebidas também aumentou assustadoramente. Agora, com a evidência de que o consumo dessas bebidas está indiscutivelmente ligado a aparecimento de fatores de risco cardiovascular, isso passa a ser um problema de saúde pública.

A pesquisa avaliou 9 mil pessoas de meia-idade, durante quatro anos. Foi observada uma associação significativa do consumo de refrigerantes com o desenvolvimento de fatores de risco da síndrome metabólica, como doença cardiovascular, diabetes, aumento da circunferência abdominal, hipertensão, elevação nos níveis de triglicerídeos e de glicose em jejum, além da redução de lipoproteínas de alta densidade (o “colesterol bom”). Aqueles com adoçante, com zero ou quase zero calorias, também parecem aumentar o risco metabólico em adultos de meia idade, tanto quanto os refrigerantes normais. De uma forma ou de outra, os indivíduos que beberam mais de um refrigerante por dia apresentaram um aumento de 31% nas chances de serem obesos; 25% na elevação dos triglicerídeos e 32% na redução do colesterol bom.

No caso dos refrigerantes normais, a explicação parece mais fácil. Bebidas de índice glicêmico muito alto estão associadas a hiperinsulinemia, mais fome e maior ganho de peso. O xarope de frutose de milho, utilizado nos refrigerantes, causaria ganho de peso; OK, essa são ótimas explicações possíveis para quem toma refrigerante normal. Mas... e o diet?

Ainda não parece haver mais do que especulações teóricas para explicar esse achado. O estudo – publicado na revista Circulation, da Associação Norte-Americana do Coração – apresenta três possíveis hipóteses para discussão:

“Indivíduos que tomam mais refrigerantes tendem a ter uma ingestão tambem maior de calorias, consumir mais gordura saturada e gordura trans, ingerir menos fibra e menos laticínios e ter vida mais sedentária,” disse Dr. Vasan. “Mas, pensando que essas pudessem ser as causas de aumento de risco, nós ajustamos a análise para a maior parte dessas variáveis, mas, mesmo depois dessa correção, houve uma associação significativa evidente.” Poderia ser algum fator dietético ou comportamental que não foi possível isolar na análise?

O refrigerante dietético poderia induzir uma resposta condicionada no comportamento, promovendo uma preferência maior por alimentos de sabor mais doce.

Também, pelo fato dos refrigerantes diet serem líquidos, poderiam levar as pessoas a ingerir mais comida na refeição seguinte, porque os líquidos provocam uma saciedade muito passageira.

Finalmente, o corante caramelo presente nos refrigerantes mostrou estar ligado a dano tecidual e atividade inflamatória, o que poderia contribuir para esse risco aumentado. Prometo investigar essa hipótese mais a fundo, porque me parece a melhor das que foram citadas e que estão sendo discutidas na literatura científica.

De qualquer jeito, os pesquisadores parecem ter ficado tão intrigados quanto eu com esses resultados, sugerindo a necessidade imediata de novos estudos para investigar essa associação. Só de uma coisa eles têm certa: essa associação, na opinião deles, não pode ser só simples obra do acaso.

  1. Dhingra R, Sullivan L, Jacques PF, et al. Soft drink consumption and risk of developing cardiometabolic risk factors and the metabolic syndrome in middle-aged adults in the community. Circulation 2007; DOI: 10.1161/circulationaha.107.689935. Available at: http://circ.ahajournals.org.
  2. The choice of a metabolic-syndrome generation: Soft-drink consumption associated with increased metabolic risk
  3. Refrigerante Aumenta Prevalência de Síndrome Metabólica (site da ABESO)







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Sexta-feira, Julho 27, 2007

Metabolismo na mídia

Para quem visita esse blog, e notou o marasmo nesses últimos tempos, eu peço desculpas pela demora na atualização. Eu estava de férias!

Mas, agora estou de volta!! Voltei e, com energia renovada pelo descanso, estou animada para colocar muita novidade aqui.

Para recomeçar, antes de mais nada, é quase obrigatório, tenho que comentar mesmo com bastante atraso, a reportagem de capa da revista Veja sobre Metabolismo.

Uma excelente reportagem, que tenta esclarecer de uma maneira simples e correta alguns conceitos como: o que é exatamente o metabolismo? O que se pode fazer para alterar seu ritmo?

As explicações começam com um relato sobre um pouquinho da história da ciência que estuda o metabolismo humano, a Metabologia. Tudo começa há cerca de quatro séculos, com um professor de fisiologia humana que viveu em Pádua, chamado simplesmente Sanctorius. Ele foi o decano dos estudos do metabolismo humano ao tentar desvendar o que parecia um mistério aos sábios do século XVII: a diferença que havia quando eles comparavam o peso de tudo que um ser humano adulto comia e bebia com tudo que ele excretava em determinado período. Sempre saía menos, muito menos, do que entrava pela boca. Sanctorius saiu-se com a conclusão de que a transpiração talvez explicasse a diferença. Ele deixou como legado a idéia de que outras reações químicas "não detectáveis" do organismo deveriam também ajudar a explicar a diferença. Nesse processo inventou o primeiro termômetro clínico e um rudimentar medidor de pulsações cardíacas. A partir daí, através do tempo, um ramo da ciência surgiu e começou a se desenvolver na busca para as respostas que Sanctorius passou queria, e a primeira delas foi a definição do que é metabolismo.

Isso já foi dito num post antigo desse blog, se não me engano o primeiro deles: Metabolismo é toda e qualquer reação química que gaste energia para produzir ou modificar moléculas. Neste exato momento, há uma centena de processos metabólicos em curso no seu organismo. Existem, por exemplo, uma reação química específica para a absorção de cálcio pelos ossos, uma para a multiplicação celular e outra que permite a você ler o que está escrito aqui.

Mas, para a imensa maioria das pessoas saudáveis, o metabolismo que realmente importa é aquele que pode interferir na silhueta, o chamado metabolismo energético. É ele que coordena a matemática das calorias que entram, que saem e quanto é estocado sob a forma de tecido adiposo. A eficácia com que o organismo gasta energia varia de uma pessoa para outra. Numa sala com 100 pessoas, provavelmente haverá 100 diferentes taxas de metabolismo. Os genes respondem por até 50% do ritmo metabólico de cada um. Está na genética do metabolismo a explicação para o fato de alguém brigar com a balança mesmo fazendo dieta reigorosa, enquanto outra pessoa da mesma idade e sexo poder comer de tudo, não fazer atividade física e não engordar, os famosos “magros de ruim". A resposta para casos tão diferentes está no ritmo metabólico. Uma diferença pequena na necessidade de calorias diárias para manter o organismo pode significar caminho livre ou não para o consumo de chocolate, por exemplo.

Ainda que o peso da genética sobre o metabolismo seja grande, não se pode desprezar o impacto do estilo de vida sobre o metabolismo. Os bons hábitos podem acelerar o ritmo metabólico, aumentar o gasto. Os maus hábitos podem, ao contrário, diminuí-lo. Entre as alternativas mais efetivas para aumentar o metabolismo, está o treino para ganho de massa muscular. Quanto mais músculos, maior será a taxa metabólica. A explicação é que o tecido muscular gasta mais energia para funcionar do que o tecido adiposo. Meio quilo de músculo queima 35 calorias por dia, enquanto para a mesma quantidade de gordura o gasto é de somente 2 calorias diárias.

Do ponto de vista do acerto da máquina metabólica, o treinamento aeróbico complementa admiravelmente a construção de massa muscular. Mesmo as atividades moderadas, como uma caminhada, mantêm o metabolismo acelerado por até uma hora depois de seu término. Para quem pratica exercícios mais vigorosos, no período pós-exercício o metabolismo pode se manter acelerado por até oito horas. Por isso, algumas pessoas acreditam que não comer após o exercício é a melhor receita para se livrar do excesso de tecido adiposo, já que, nesse período, a queima calórica aumenta. Mas essa não é a melhor estratégia se o objetivo é manter o metabolismo elevado. O melhor é ingerir uma refeição que tenha carboidrato e proteína logo depois da atividade física, para garantir o suprimento de nutrientes necessários para a regeneração dos músculos, que acontece depois da prática de exercício físico. Com isso, aumenta a massa muscular e, aumentando a massa muscular, aumenta o gasto de energia mesmo em repouso.

Os hábitos alimentares também têm um papel na determinação da velocidade do metabolismo. Certos alimentos entorpecem a máquina. Outros lhe aceleram o ritmo. O açúcar refinado, por ser de fácil e rápida absorção, levando a um potente estímulo de liberação rápida de grande quantidade de insulina, aciona no organismo um botão que poderia levar o rótulo de "estocar gordura". Ele fornece energia a um ritmo mais rápido do que ela pode ser queimada. Como resultado, acaba sendo estocado na forma de gordura.

Carboidratos são muito importantes para o organismo, sendo a principal fonte de energia para o funcionamento de todo o corpo. Mas, para evitar esses picos indesejáveis de insulina, nós, endocrinologistas, recomendamos atualmente que se dê preferência para os alimentos cuja absorção de nutrientes se faça de forma mais lenta – e que, no processo, exijam do organismo um maior esforço metabólico. A digestão de proteínas requer, em média, 25% mais energia do que a dos demais nutrientes. "Para absorver proteínas, como carnes e leite, o corpo gasta mais energia do que precisa para lidar com os carboidratos e com as gorduras", diz o professor Alfredo Halpern, da Universidade de São Paulo.

Adorei a comparação que a reportagem faz da ciência do metabolismo com a climatologia. Quer dizer, muito se descobriu nessa área médica, mas, como nos estudos do clima, prevalecem ainda manchas de incerteza. Um exemplo: ao comparar o metabolismo de um magro com o de um gordo, provavelmente o gordo registrará um consumo energético maior, em valores absolutos. Isso se deve apenas ao fato de o gordo ser uma "máquina humana" maior do que o corpo de um magro? Sim. Isso explica também por que é mais fácil perder peso no início de uma dieta, mas muito ainda carece de explicações cabais nesse processo.

Com o envelhecimento, o ritmo metabólico tende a diminuir. Mas não se pode culpar exclusivamente o avançar da idade pelo aumento de peso decorrente dessa queda. Isso se dá provavelmente em função da perda de massa muscular, em quem não mantém atividade física regular. Por isso é que é fundamental manter elevado o nível de exercícios físicos e reduzir o consumo de alimentos em cerca de 100 calorias por década. Tais medidas devem ser adotadas a partir dos 30 anos. A recompensa está na manutenção do mesmo peso da juventude.

Enquanto a ciência não oferece a saída dos sonhos – "coma de tudo e emagreça" –, o que resta é seguir a constatação dos estudos disponíveis já consagrados. Eles mostram que refeições menores, a cada três ou quatro horas, aceleram o metabolismo e facilitam a perda de peso. O café-da-manhã é um dos principais ativadores do metabolismo. Ainda não se sabe muito bem qual é a extensão do efeito metabólico da primeira refeição do dia, mas sabe-se que é impossível emagrecer e permanecer magro sem ela. Não se pode privar o organismo de alimentos por longos períodos. Ficqar muito tempo sem comer gera dois problemas do ponto de vista metabólico: O primeiro é que, depois de terminar todo o processo de digestão e absorção, o organismo começa automaticamente a funcionar como se estivesse em jejum e aciona todas as defesas para “economizar combustível” até a próxima refeição. Num organismo que já gasta pouco, temos uma espécie de “economia do apagão”, piorando a tendência já existente em gastar pouco e armazenar reservas. O problema complementar de ficar muitas horas sem comer é que se parte vorazmente para a próxima refeição e come-se tão rápido que a informação de que já se está satisfeito demora a chegar ao cérebro. O resultado disso tudo é que mais gordura será estocada, principalmente nos quadris, no caso delas, e na barriga, no caso deles. Ou seja, um metabolismo suficientemente acelerado e eficiente não pode ser conseguido pela ingestão de pílulas milagrosas. Pelo menos por enquanto.

Conhecer mais sobre o funcionamento do processo metabólico é um grande primeiro passo. É como fazer o orçamento da nossa casa.




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Sexta-feira, Julho 06, 2007

Ecos do Congresso do American Diabetes Association - As Novidades

Se quiser saber mais, enquanto isso, já sabe: siga o link:

27/06/07 11:36


Aparelho em Estudo Mede Glicose no Sangue sem Dor
Durante o 67th Annual Scientific Session, da American Diabetes Association (ADA), em Chicago, foi apresentada a versão atual do dispositivo que mede a taxa de glicemia, sem provocar dor.

04/07/07 14:06


Insulina de Ação Curta Nem sempre é tão Curta Quanto se Pensa

04/07/07 10:42


Os Padrões de Hemoglobina Glicada Estão Mudando
Trabalho discute as alterações nos padrões de controle das pessoas com diabetes.

03/07/07 21:15


Repercussões do Debate Nissen X Home
Um tema chamou muita atenção durante o congresso, sendo um dos debates mais esperados do evento, acabou gerando um artigo na coluna Debates, assinada pelo Dr. Augusto Pimazoni.

29/06/07 16:02


Estatinas e Fibratos Contra a Neuropatia Diabética Periférica

29/06/07 15:44


Automonitoramento Freqüente É um Ritual Desnecessário em Muitos Diabéticos Tipo 2
Um estudo apresentado pelo Dr. Andrew Farmer, da Universidade de Oxford, durante o congresso da ADA, mostrou que, para muitos diabéticos do tipo 2, o automonitoramento freqüente não traz benefícios. No entanto, isto é absolutamente necessário em todos que usam insulina, sejam dos tipos 1 ou 2.

29/06/07 12:11


Como Fazer o Diagnóstico de Diabetes: o Mais Simples e Mais Barato é o Melhor

29/06/07 11:49


Prêmio Incentiva Pesquisas em Diabetes
Durante o 67th Scientific Sessions, a American Diabetes Association (ADA) concedeu o prêmio “Outstanding Physician Clinician in Diabetes” ao especialista americano, Richard M. Bergenstal.

28/06/07 13:58


Diabetes Gestacional Traz Riscos para o Bebê
O Hyperglycemia and Adverse Pregnancy Outcome (HAPO) foi um dos estudos apresentados durante o 67th Annual Scientific Sessions da American Diabetes Association (ADA).

28/06/07 13:46


ADA Lança Ferramenta Interativa para Pacientes e Especialistas
Durante o seu evento, a American Diabetes Association (ADA) lançou, oficialmente, a ferramenta interativa “Diabetes Conversation Maps”, uma espécie de fórum para discussões dinâmicas de grupos.

28/06/07 10:41


Programa Bridges é Lançado no ADA 2007
Durante o 67th Annual Scientific Sessions da American Diabetes Association (ADA), foi lançado oficialmente o programa de doações Bridges (Bringing Research in Diabetes to Global Environments and Systems).

27/06/07 15:13


Estatísticas Americanas do Diabetes Crescem 5% ao Ano Desde a Década de 90
Um estudo do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) mostra que o aumento do número de casos de diabetes em território americano aumenta 5% ao ano, desde 1990.

27/06/07 14:34


Genética, Prevenção e Tratamento no ADA 2007
Cerca de 13 mil pessoas, entre médicos e cientistas de todo o mundo, estiveram reunidos em Chicago, nos Estados Unidos, no 67th Annual Scientific Sessions.

25/06/07 16:55


Monitoramento Contínuo da Glicemia (CGMS)
O CGMS iniciou uma nova era no tratamento da glicemia, mas a tecnologia ainda tem limitações.

22/06/07 19:12


Cápsula de Insulina É Anunciada em Congresso Americano
Uma cápsula com insulina, desenvolvida com uma proteção que impede a ação dos ácidos no estômago dos indivíduos, acaba de ser anunciada no Congresso da American Diabetes Association (ADA)




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Quinta-feira, Julho 05, 2007

Acredite se quiser: Um pedacinho de chocolate por dia faz bem!

Você adora chocolate, não pode viver sem ele? Acha que o inventor dessa gostosura merecia ganhar o Prêmio Nobel? Na onda das boas notícias, aí vai uma especial, então:

Um novo estudo publicado na edição de julho de 2007 do Journal of the American Medical Association provou que um pedacinho (um “quadradinho”) de chocolate escuro (amargo?) por dia reduz a pressão arterial em pessoas saudáveis com pressão acima do normal.

Dr Dick Taubert, do Hospital Universitário de Colônia, na Alemanha, o autor principal dessa pesquisa, afirmou que a diferença desse estudo para outros semelhantes é que este é o primeiro a mostrar os benefícios do consumo a longo-prazo do chocolate - o estudo durou 18 semanas. Esse trabalho conseguiu também demonstrar um possível mecanismo de ação para os efeitos pressóricos do chocolate.

Esse é o sexto estudo a demonstrar o mesmo tipo de benefício. O Dr. Taubert declarou que os estudos de curto-prazo anteriores já haviam mostrado que altas doses de cacau por duas semanas podiam melhorar a função endotelial e diminuir a pressão alta, pela ação dos polifenóis do cacau. Mas o efeito clínico benéfico da ingestão habitual de pequena quantidade de cacau ainda não tinha tido o seu mecanismo de ação bem elucidado.

Os pesquisadores alemães, então, conduziram um estudo controlado, randomizado, investigador-cego, com 44 indivíduos adultos, com idades entre 56 a 73, com hipertensão limítrofe não-tratada, sem fator de risco cardiovascular concomitante. Os participantes eram designados randomicamente para receber um “quadradinho” (6,3g) de chocolate escuro por dia, ou a mesma quantidade de chocolate branco, sem polifenóis, por 18 semanas.

O objetivo principal do trabalho era observar o comportamento da pressão arterial depois dessas 18 semanas. Os secundários incluíam avaliação dos marcadores plasmáticos de óxido nítrico (S-nitrosoglutathione) e de estresse oxidativo (8-isoprostane) e a biodisponibilidade dos polifenóis do cacau.

Desde o início até o final das 18 semanas, a ingestão dessa quantidade de chocolate escuro diminuiu a pressão arterial sistólica em 2,9 mmHg (p<0,001)>

A queda da pressão arterial foi acompanhada por um aumento sustentado do nível sérico de S-nitrosoglutathione em 0.23 nmol/L (p<0.001)>

Esse estudo traz mais evidências para sugerir que pequenas quantidades de chocolate escuro, rico em polifenóis, como uma adição à uma dieta saudável, podem causar uma redução na pressão sistólica e diastólica em indivíduos mais idosos com níveis pré-hipertensão, sem levar a ganho de peso nem a nenhum outro efeito adverso.

Mesmo sendo uma mudança aparentemente pequena é extremamente importante clinicamente, levando a uma redução no número de casos de infarto agudo do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais.

É claro que é preciso cautela: para que se possa generalizar uma recomendação desse tipo será ainda necessário repetir mais estudos, com um maior número de pacientes, e outros grupos étnicos (a população avaliada era toda de caucasianos). E uma coisa é clara: o benefício está no chocolate escuro/ amargo. O chocolate ao leite comum, ou o chocolate branco não têm nenhum benefício. E é importante prestar atenção à quantidade: aumentar a ingestão de calorias totais, mesmo com polifenóis benéficos e tudo, é ruim. Estudos prévios mostraram benefício com a ingestão de 100g de chocolate por dia, mas essa quantidade parece arriscada pelo risco de levar a aumento de peso.

Mas dá, pelo menos por enquanto, para liberar um “quadradinho” de chocolate amargo por dia, que representa só 30kcal, sem medo de estragar a dieta de ninguém, com o argumento de que pode mesmo fazer bem para a saúde.

Referência:

  1. Taubert D, Roesen R, Lehmann C, et al. Effects of low habitual cocoa intake on blood pressure and bioactive nitric oxide. A randomized controlled trial. JAMA 2007; 298:49-60.



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Sexta-feira, Junho 22, 2007

Reposição Hormonal na Menopausa: Dessa Vez A Notícia é Boa

Dessa vez, as novidades são boas a respeito da Terapia de Reposição Hormonal da Menopausa (TRH).

A reposição hormonal para as mulheres pós-menopausa (TRH) sempre foi um assunto meio controverso. Houve uma época, mais ou menos quando eu era residente, por exemplo, em que a TRH era muito recomendada. Além de servir para o tratamento dos sintomas do climatério, era vista como um meio de prevenção de osteoporose e de doença cardiovascular (como infarto, por exemplo). Isso porque o risco de uma mulher ter um infarto (ou algum tipo de problema coronariano) antes da menopausa é, em geral, muitas vezes menor do que um homem da mesma idade e nas mesmas condições. Depois da menopausa, esse risco se iguala.

Assim, o estrogênio parecia ter um efeito protetor cardiovascular.

Até o início da década de 90, não existia nenhum estudo específico para investigar doenças crônicas e a sua prevenção em mulheres acima de 50 anos. Sendo assim, em 1991, os Estados Unidos, através da iniciativa e financiamento do seu Departamento de Saúde, os "Institutos Nacionais de Saúde" (National Institutes of Health - NIH) criaram um gigantesco (e milionário) programa de pesquisa para isso, que recebeu o nome de "Women's Health Initiative"- WHI. Um dos principais objetivos desse programa, multicêntrico e enorme, era investigar o verdadeiro efeito da terapia de reposição hormonal pós-menopausa, que se acreditava eficaz para a prevenção de uma série de doenças. E os resultados causaram um impacto tremendo.

Num primeiro momento, os resultados do WHI mostraram um aumento do risco de doença cardiovascular nas mulheres tomando a combinação de estrogênio e progesterona por longo tempo (a combinação utilizada era a mais frequentemente prescrita pelos médicos do mundo todo). Isso, é claro, causou o maior rebuliço, tendo muita repercussão na mídia.

Os primeiros resultados publicados pareciam devastadores, mesmo. (http://jama.ama-assn.org/cgi/content/abstract/288/3/321) O risco aumentado do uso de reposição nos resultados gerais mostrava um aumento, a cada 10 000 mulheres tratadas, de 7 casos de eventos cardiovasculares a mais, 8 casos de derrame cerebral (AVC) a mais, e 8 casos de câncer de mama do tipo invasivo. E uma diminuição só de 5 casos de fratura de quadril a cada 10000 mulheres tratadas. O benefício não valia o risco.

Logo em seguida, porém, uma análise cuidadosa dos dados demonstrava que o risco poderia estar relacionado à idade mais avançada em si, e não à reposição hormonal (no grupo total foram incluídas mulheres de 50 a 79 anos). Um novo estudo, publicado em janeiro/fevereiro de 2006 no “The Journal of Women's Health” mostrou que o risco de doença cardiovascular demonstrado pelo “WHI” estava relacionado à idade das pacientes, mostrando também que, nas mulheres mais jovens que receberam TRH no início da menopausa, esse risco pareceu diminuir.

Pois a novidade agora é a seguinte:

Uma nova análise dos dados do "WHI", mostrou que as mulheres pós-menopausa mais jovens (entre 50 e 59 anos) que receberam TRH só com estrogênio tiveram significativamente menos calcificação dentro das coronárias do que as pacientes da mesma faixa etária que receberam placebo. O que isso quer dizer?

A calcificação significa presença de placas de ateroma calcificadas e, de acordo com os autores desse trabalho, reflete também o processo inflamatório associado com a aterosclerose e pode, portanto, ser usada como uma medida de risco cardiovascular. Então, foi isso o que foi investigado, através de tomografia computadorizada do coração de todas as pacientes, ao final do período de duração do estudo.

De acordo com os autores dessa análise, cujos resultados estão publicados na edição de 21 de junho de 2007 do “New England Journal of Medicine” (uma das revistas médicas mais bem conceituadas do mundo):

  • no grupo de mulheres que receberam TRH só com estrogênio, houve uma diminuição do risco cardiovascular, com diminuição do índice de revascularização coronariana (HR 0,55), em relação ao que recebeu placebo.

Trocando em miúdos, a análise dos resultados só das mulheres entre 50 a 59 anos recebendo estrogênio por um período médio de 7,4 anos, mostrou que elas tiveram 42% menos obstruções coronarianas graves do que as mulheres recebendo placebo. E, entre aquelas mais aderentes ao tratamento, (aquelas que tomaram a medicação todos os dias, direitinho, mais a sério) as que estavam tomando estrogênio tiver um risco 61% menor de entupimento coronariano calcificado do que as que recebiam placebo. Essa conclusão é consistente também com observações anteriores de estudos anteriores, de outros grupos de pesquisa.

Dra JoAnn E Manson, da Harvard Medical School e principal autora dessa nova publicação, para a newsletter heartwire.

Os resultados pareceram tão animadores que a Sociedade Internacional de Menopausa (“International Menopause Society”- IMS) liberou um comunicado oficial para a imprensa dizendo que os resultados desse estudo (WHI- CACS) são “encorajadores”, e que “as mulheres podem se sentir seguras de que a terapia de reposição com estrogênio é cardioprotetora até, pelo menos, os 65 anos.”

A polêmica deve continuar, no entanto, até que mais estudos sejam concluídos.







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