
Essa é uma notícia científica séria, como mostra a referência, mas com um toque meio hilário pra quem é mulher (e tem coxa grossa...)
O boletim eletrônico Diabetes in Control.com de 16 de agosto último traz interessantes comentários a respeito do estudo recentemente publicado na revista The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, o qual avaliou a proteção metabólica proporcionada pela adiposidade na região glúteo-femoral em mulheres na pós-menopausa. O estudo conduzido por Van Pelt e colaboradores, da Universidade de Colorado, nos Estados Unidos, avaliou 95 mulheres na pós menopausa e demonstrou um efeito favorável da gordura glúteo-femoral sobre vários parâmetros e marcadores de resistência insulínica e de dislipidemia, tais como insulinemia de jejum, área sob a curva da insulina, teste oral de tolerância à glicose, triglicérides e colesterol HDL. Quando essas pacientes também apresentavam obesidade central (obesidade abdominal), a maioria das vantagens proporcionadas pela gordura glúteo-femoral desaparecia mas, mesmo nesses casos, o efeito protetor das “coxas grossas” sobre os níveis de triglicérides permaneceu significante.
Os pesquisadores ainda não sabem exatamente a razão pelas quais a gordura das coxas traz esses importantes benefícios, mas há um consenso crescente de que nem todas as gorduras são iguais. Uma teoria defende a idéia de que a gordura das coxas agiria como uma espécie de “sifão metabólico”, promovendo a remoção de triglicérides e outros compostos indesejáveis da corrente sanguínea. Outra teoria defende a hipótese segundo a qual o acúmulo de gordura em áreas periféricas já seria, por si só, a manifestação de um processo saudável de deposição de gordura que acarretaria um menor risco cardiovascular.
Os efeitos negativos da gordura abdominal já são sobejamente conhecidos, enquanto que a “gordura periférica” dos braços e das coxas não só é mais benigna, mas ainda consegue promover efeitos protetores adicionais em relação ao risco cardiovascular. Infelizmente, não há meios para se “programar” artificialmente o organismo a depositar sua gordura de forma exclusivamente periférica (a “gordura boa”). Esse novo conceito sobre o efeito protetor da gordura glúteo-femoral contribui para levantar questionamentos importantes sobre os possíveis efeitos metabólicos negativos da lipoaspiração, com a remoção cirúrgica da gordura das coxas. O Dr. Van Pelt sugere inclusive a possibilidade de que a gordura das coxas possa ajudar a pessoas de outras idades, inclusive pré-menopáusicas.
Toda mulher, em qualquer lugar do planeta, costuma odiar "sem a menor dúvida" a grossura de suas coxas, e isso seria, teoricamente, um consolo médico: ter coxas grossas significa ter mais saúde. Mas, é claro, a moda tem um impacto muito maior do que a ciência...







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